Arnold Böcklin

Rochedo de Prometeu

Arnold Böcklin inerentemente simbolista e por influência do romantismo das obras de Caspar David Friedrich, adere ao subjetivismo do eu e ao lirismo da alma. Fuga do realismo, flerta com o místico, oculto e sinestesia das imagens e palavras. Suas obras permeiam o mitológico e por sua trajetória em Roma carrega em si parte das características renascentistas e o vislumbre do tom mediterrâneo.

Arnold_Boecklin-fiedelnder_Tod.jpg Auto retrato de Arnold Bocklin

A Ilha dos mortos, sua obra prima,possui muitas versões. (Não é incomum um pintor alterar muitas vezes uma obra até alcançar a intenção e narrativa imagética apropriada )

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As pinturas possuem traço linear e grande atenção as cores e reflectâncias de luz sob o cenário. A inspiração da imagem em parte vem do Cemitério inglês de Florença que evoca arquitetura clássica e austeridade.

Quando era rapaz buscava espectros e fugia pelos quartos a escuta, pelas veredas e ruínas, e os bosques sob…

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Sessão Abutre (1)

Rochedo de Prometeu

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“O abutre, a corrente, a rocha, e o orgulho de sofrer sem um lamento.”

– Shelley

Esta sessão tem como premissa os momentos de terror, medo, angústia e paralisia criativa que nos atingem sem aviso, almas criadoras. Pretende-se aqui discutir momentos e episódios intrigantes envolvendo a desistência, a falta de sentido e os por quês avassaladores na vida das pessoas que consumam atividades do meio artístico.

Pretende-se trazer informações, contemplações e abrigo nos dias de cinza atitude. Mas também providenciar conforto intelectual para se superar os instantes melancólicos.

O abutre rodeia a todos nós, mas só uns poucos o enxotam com coragem e virtude.

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As vezes as grandes obras nos parecem destorcidas e diluídas , sem conforto, nos pegamos em desespero. Nesse momento estamos a mercê de nossa própria sombra e talvez daí derive a poesia;

“Só então se reconheceu a presença da Morte Rubra. Viera como um ladrão na noite. E…

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Sem duvida (destino)

Antes de tentar lembrar porque, comecei de certo que várias vezes antes procurei e não encontrei.

A flor delicada que se deixaria ser cuidada, a flor espinhosa que saberia se defender de emboscadas, mas ainda assim uma flor.

Como se antes não houvesse mais, o que me apraz é aonde jaz a esperança e a vontade, às vezes de um céu sem véus, mas o escarcéu do tempo ao léu, esperando e cada vez achando a certeza de que não estou mais procurando, e sim esbanjando do achado que o destino me mostrou.

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I’m Back

É difícil voltar a escrever depois de um tempo parado, parece que tudo escapa e fica mais alto ou mais longe, mas estou voltando.

Não tiro o mérito de mim, mas não ouso esquecer daquela que me fez ter forças e persistência, da minha querida e pequena Stéfani.

As palavras são poucas, mas o que vale é começar, rápido ou devagar, o importante é começar.

Obumbrata

A quem um dia se deve temer, dar o poder de ser ou talvez querer um escolher sem mais um

esclarecer, não é assim que fere a mim o amargo saber, de tanto antes quanto constante, a visão deslumbrante de raios de sol esquecidos no âmago de algum entardecer, escondido por folhas acobreadas de um tronco a desfalecer, sem entender o pois do depois que esta a aquecer, o medo de tudo querer é alias o que se faz a mais aprazer, a maquiagem de um rosto é o riso do entristecer, do esquecido mas não abatido bufão que habita o amanhecer.

Aos velhos hábitos sem sorte, o desejo é apenas mais profundo corte, acontece assim sem o caminhar em carmesim aonde a trilha aparece e escorre, os tijolos amarelos já viraram pó…

Poço sem Asas

 

Nas asas embaladas pelos ares quentes e pesados de um árido campo agora devastado jazem faces voltadas para a grama vermelha e com os dedos trincados em espadas e dentes envoltos em línguas estranhas.

Os sons de harpas ficaram presos nas gargantas e nos olhos que buscavam um coração ou uma cabeça, agora estão envoltos somente pelos címbalos do holocausto, o sacrifício foi ofertado sem um só homem ser consultado, fardos de arpões agora carregam o peso putrefato do monstro que derrotou as hostes dos homens. Duas quedas desastradas por uma mente pérfida orquestradas para um novo rumo dar, a uma história sem gosto ou vitória de uma raça aquebrantada e a muito estupefata com a queda de tão gloriosa empreitada.

Os papéis se desfizeram como nó de aprendiz, perdidos agora para sempre, do destino um chamariz, levem-nos para os poços ardentes e os julguem com tridentes, não era assim que se diz?

Não, o pior vai ser a exortação e a eternidade como uma torção que não liberta mas demora, os cravos na testa cegam mas não imploram, ainda choram como que cientes de que um dia até a eternidade acaba, mas até lá não são cascos que batem rindo em espasmos, mas asas que se ajeitam em um trono parco e sem nenhum marco, simples cadeira debaixo de um arco, com cruzes e espadas postas lado a lado, quem sabe a diferença entre uma inspiração e um bom agrado?