A musa

Uma fina cortina de couro levantou com a brisa das velas e dos aromas, dedos frágeis e delicados a afastaram para deixá-lo ver a primeira mascara, uma raposa dourada com a fronte em chamas, e um sorriso fino e pérfido, mas só ela o via, um jovem, uma fonte de joguetes e vaidade. A mascara voltada para a presa, alegre, faceira, o rosto voltado para uma arvore sem folhas, com um par de raízes se estrangulando secamente. Dois passos e ela estava perto dela, um passo e ele ficaria sem mais nada. Essa é a vontade da deusa, da criativa e nunca passiva, altiva. A furtiva que espera a fúria e o ritmo das batidas sem sentido de um pulsante, um ser de dor e alegria, que foi demais e agora n’agonia entre as nevoas do tempo e da vontade esta mordaz, ele a toma nos braços e sorve de seus lábios a mascara, e se compraz mais em sua dor, agora que ornado esta como lobo, a mascara jaz esta sob a pele, e o sorriso de presas a mostra é a faísca de loucura que estava no veneno dela, agora ele veste ela e a mascara para adorar a musa.

Anúncios