Calígula

Não, errado não, impaciente, não venha me dizer que você consegue ouvir por mais de alguns segundos o que a lascívia fala e o que a mascara carrega.

É fétido, podre, o odor infausto fica impregnado no colarinho e você ainda se pergunta: “Por quê?”.

Pois bem, não se começa dessa maneira, é a mais vulgar, mas combina com a situação e com ela.

Sabe quem é? A língua desalmada que percorre vários lugares e, diga-se de passagem, de trapo não tem nada.

É couro, é veludo que acaricia a primeira vez, mas da segunda vez é áspera, felina, você sente o carinho mas sabe que a sensação não esta certa. Vou dizer por que o fogo não se mistura com o veneno. Não, não fui eu que me inflamei e difamei o que se achava menos favorecido, não fui eu que plastifiquei meu semblante para me tornar a nova constante. Apenas empurrei aquela pequena vontade infeliz para o melhor lugar que encontrei.

Não, não há tapetes ou armários, só a sobriedade.

E daí que minhas armas têm perjuras? Se com o veneno minha coroa é ungida e a cerco de setas?

Quem poderia dizer que o efeito seria não letal, mas lento, uma ampulheta feita de óleo e água, aonde esta o tempo?

Você se pergunta se é a pessoa certa para fazer o papel, se é o seu ato, a sua hora.

Não desvie de ser pisado, ao contrário, mude a cena, diga sua fala e segure as lágrimas, não há mais de quatro que merecem vê-las mesmo.

caligula

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