Poço sem Asas

 

Nas asas embaladas pelos ares quentes e pesados de um árido campo agora devastado jazem faces voltadas para a grama vermelha e com os dedos trincados em espadas e dentes envoltos em línguas estranhas.

Os sons de harpas ficaram presos nas gargantas e nos olhos que buscavam um coração ou uma cabeça, agora estão envoltos somente pelos címbalos do holocausto, o sacrifício foi ofertado sem um só homem ser consultado, fardos de arpões agora carregam o peso putrefato do monstro que derrotou as hostes dos homens. Duas quedas desastradas por uma mente pérfida orquestradas para um novo rumo dar, a uma história sem gosto ou vitória de uma raça aquebrantada e a muito estupefata com a queda de tão gloriosa empreitada.

Os papéis se desfizeram como nó de aprendiz, perdidos agora para sempre, do destino um chamariz, levem-nos para os poços ardentes e os julguem com tridentes, não era assim que se diz?

Não, o pior vai ser a exortação e a eternidade como uma torção que não liberta mas demora, os cravos na testa cegam mas não imploram, ainda choram como que cientes de que um dia até a eternidade acaba, mas até lá não são cascos que batem rindo em espasmos, mas asas que se ajeitam em um trono parco e sem nenhum marco, simples cadeira debaixo de um arco, com cruzes e espadas postas lado a lado, quem sabe a diferença entre uma inspiração e um bom agrado?

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