Quem pode em vida

Segurar, ou desafiar, uma vontade férrea

Tal qual muro a rachar, não, há de falhar

A imaginação prega estrelas num céu de papel

Mal coladas esbarram no fino véu, e jazem

Caídas no chão, agora em tropel, pois a pressa

Fez os pensamentos caírem rio abaixo

E a preocupação atinge como flecha o

Meio dos olhos da minha vontade, ora sim

Ora não, sei quem sou, na verdade não

Se minto, é para lustrar a enferrujada espada

Orgulho é o nome dela, e a bainha é transparente.

Onde será, que vão me levar esses pensamentos?

Longe do mar espero, pois o incessante rimar

Há de me gastar e difícil é ficar, sem por

Um templo ao som de um lamento, a língua

Arde querendo agua proibida. Por quem? Por mim

E por ele, abençoado pela malícia, preso pelas

Fitas nos braços, se louco sou, então são estou

Pois e quais montam paredes e torvelinhos

A letra espelha o sentimento, rápido e impreciso

Mas incansável, e de destreza pouco admirável.

Pare por favor, deixe a mente se sepultar

No prefixo da dor, onde antes de torpor e lapsos de

Horror, quando me vejo gotejando pelo falho amor

Ai de mim! Que preso estou em corpo perene sem

Mais delongas, que não se façam longas as contas

Do calor, que um laço, um beijo e um abraço

Afeto sem teto, longe do discreto, mais ainda

Nele não finda, metade do mundo das palavras

Que consomem e corroem o tempo de valor

Findo agora as rimas sem clamor…

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Clamor Impreciso

Me armo da unica coisa que talvez, nos dias de hoje

Mantenha minha sensatez

Inibida antes por angústias e augúrios, hoje se vê livre

Para transpassar a realidade e o sonho, atentando assim,
Parao meu alvo que se resolve em uma silhueta carmesim
Tão longe de mim, mas perto dos desejos, do poder e da
Vontade de ter encontrado o ponto final da saga.
Mas, me atenho a dizer, que temo, e tremo, pois
Tão grandiosa e constante alegria, deve ter seu preço, mesmo
Com esforço, nada vem sem o devido sacrifício
E minhas preces se voltam para que esse seja o
Destino, que abriu uma porta para uma renovada existência
Onde o carinho e o semblante não esmorecem mas, se
Juntam em cores anis, circulando o halo que deve, ou pode
Unir nossas imortais almas.
Pois mesmo ao escapar do perene corpo, da carne,
Desejo afundar em devaneios e sentimentos, todos voltados
A uma atenção, e em una canção, desejo te guardar
Por toda a eternidade, no espaço simples e finito,
Que é este mero coração