Devorado

Encolhido em um canto dos olhos, fumegando entre os dentes da vontade, a verdade é uma faca curta e curva, que corta e esfola a realidade. Asas não batem sem voar em sonhos, antes redigidos com certeza, pertos d perderem a destreza o que se faz de um dragão quando ele já queima até a quem lhe preza? Guardei-o em um porão feito de céu e sedas pintadas a mão, as brasas sempre aquecem meus pensamentos antes perdidos no meio dos elementos. Baixo e curto é o sopro das cordas no vento, o pulsado batendo alado pedindo desculpas a quem foi magoado, não sei de mim, mas longe assim só posso pedir que me entreguem a sua verdade, ou numa noite olhar para a lua e pensar nas faces da sobriedade, será que já a vi estando no torpor da saudade? Quem pode se lembrar dos anjos enterrados na tempestade? Afogados aos prantos de navios em uma tarde, aonde chego com a carruagem para trovejar longe da cidade. Agora quero um amargo gole da pura maldade, pois de bom me fiz de ponte para a felicidade, e passou pelas minhas costas deixando cicatrizes de bondade, a cura foi a agulha com o fio da fome, que sempre aparece com a mascara branca e plácida de cabelos negros e olhos de vaidade. Quero pena e nanquim para escrever as loucuras do morador carmesim. A vaga da realidade perde-se nos teceres do sem sorte, que crispado em flamas agora, fez refeição de si mesmo nos velhos cortes.

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Fio da Cintura

Fios de musica se entrecortavam e estilhaçavam os sons de outros pensamentos, as batidas ritmadas de caixas e bumbos retumbavam e dava rumo ao caminho da musa, uma dança ente a melodia e a luxuria, os quadris envolvendo as sedas coloridas da cintura num arco Iris de fragmentos, ela deixou os olhares estagnados e mesmerizados, a luz das mariposas iluminada por cordas e batidas, o som se confundiu e trouxe uma historia estranha e nova, os que conseguiram louvaram ao estranho e não o agradeceram, pois o era esperado, da dor veio um clamor, a voz mudou para um tom tétrico e fantasmagórico, e ecoou distante no fundo das memórias, terminando com as trombetas iluminadas pelos últimos raios do sol, a noite veio sem ser percebida, e logo raiou o novo dia, ainda melodioso, mas chuvoso.