Pétalas de lábios

Como um espinho, uma leve dor, a agitação de algo perfurado, mas não inadequado, as folhas roçando os cabelos e os cravos da coroa dela. Suave, se agachou junto a mim em meio a água e os galhos secos do outono, o vento passou sobre o seu vestido como garras sem dono, um arrepio e ela gemeu. Fui protegê-la, não havia mais vestido ou folhas, só um abraço forte e os espinhos cortando fundo, cada vez mais eu precisava me cortar, cada vez mais espinhos saiam de seus lábios, de sua língua, de seus olhos. Três vezes me olhou e me teve,  três vezes me recusou e me afastou, e agora por mais três vezes me faço de cavaleiro, armado de silêncio e com o arco das vozes. Sussurro setas próximas e enveneno seu pescoço, as palavras escorrem vazias os degraus do lago e molham as pétalas de seus pés. Seus olhos ainda afiados vagam por outros outeiros, mas se voltam para a fruta de onde veio a seiva agridoce das borboletas de papel. A folha agora esta borrada por lágrimas imaginarias, elas existiram desde o verão? Me apoio na arvore pare tentar ver o futuro, mas as copas dos momentos bloqueiam e escurecem a cada esforço, subi alto e agora caio, não tenho asas, mas tenho as pétalas, me agarro nos espinhos, pois sei que ainda sim me salvam. E o valor e os momentos marcados nos punhos lembram-se dos olhos, um dourado que fez o sol piscar, ela é a rosa que cresce sozinha, as pétalas negras esvoaçando no sol, o caule branco e invernal adornado de espinhos é a verdade dela, agora me atrai para um ultimo suspiro gotejante, não é simples beijo mas uma troca de espinhos e venenos. E ela sufocou com as palavras belas e caiu, e eu sangrei dos espinhos e a segurei, e as asas queimaram inebriando as flores e os favores agora levam poucos versos eternos e digo que sufoco sem teu ar, como pode mais uma vez tu desviares o olhar?

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