Dois copos

Até a borda era como uma torre marejada de gotas douradas começou

Ele desamarrou os sapatos e atirou as meias longe, mergulhou e caiu de cabeça no meio do vento.

A segunda era mais densa, as gotas agora eram rubras e escorriam como as lagrimas das viúvas.

Dançando nervosamente, as mãos dela tremiam, mas o agarram na cintura e a segurança dos giros a fizeram delirar como um grande salão de sonhos.

Depois veio algo mais achatado e largo, e era como mel, e o gosto era fel, desceu pela garganta fazendo um escarcéu.

Pulou, e correu, correu e correu até perder o equilíbrio e saltar o mais alto que pode. Agarrou-se nos ramos que sobejavam da murada com a ponta dos dedos, mas falhou, e um deles escorregou, e caiu, caiu, caiu…

O ultimo era como uma frondosa arvore na primavera, o verde brilhava como um par de asas que batiam nas botas, e desceu como um caçador abrindo a barriga de um lobo.

Vazando pelo cheiro, a visão turva e o enjoo não ajudaram em nada, mas tinha que sair dali, já havia acabado com ela, era só sair da espelunca e me aprumar em um motel sujo no fim da rua, nada mais…

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Eis que

O fecho do conflito é de longe o mais simples a ser feito
Parece que lobos são crianças esperando o pão de cada dia
Não antes sem se deliciar dos ódios e receios dos mensageiros
A cor é purpura, rubra e carmesim, é inteligente e sabe cifrar
Antes que alguem diga, loucura, digo fim.
Acabou a liberdade, sobrou um vazio escuro para caminhar
E tentar olhar pelas frestas o que sobrou do passado
Não é um museu, é uma dose de veneno que se concentra pulsando
Onde antes falaram em quatro letras, agora ela tem cuidado
De não encontrar novamente o pobre coitado, que esquecido foi
E agora?Ninguem responde, olham de soslaio, ou nem olham.
os fios amarram a ponta do nariz a nuca, e os olhos foram feridos
Pela lâmina cega da vontade, ninguem mais faz uso da felicidade
Fácil é só medir a distância da ponta do abismo até o cume do céu
Ninguem mais acredita mesmo em véu, aonde esta agora?
Preferia sozinho ser guiado por vagalhões e nunca ter noção
Do que é um coração ou uma preocupação, tarde, é tarde, muito tarde
Já tomei da sabedoria burra, e me fiz rei dos aflitos, mas eles
Não tem nome, e tão pouco escutam, sobrou o que? A falta de tudo
Um inverno ou um inferno tem o mesmo gosto, queimam a lingua
E causticam os labios, desejo um lago fundo, sem mundo, cercado
De nada, quero olhar para cima e ver um pilar de estrelas
Ninguém entende?Ou cede?Talvez o ser não seja a questão...