O ultimo suspiro

 

As gotas contornavam o rosto branco como mármore, ensopando o vestido preto e fazendo da terra lama, o começo da noite veio com o crepitar de um trovão distante, os garfos iluminavam o céu e a chuva escondia a dor. Melhor assim, que não seja aparente a decisão ou o fracasso, que se faça de forte entre os fracos, e assim seja certa, a única correta.Vocifera palavras rudes, mas brinca como menina, ela não se vê no espelho, mas olha como se não fosse nada, só outra coisa fútil e inútil, ela diz juras e convoca chamados, ela não julga mas afoga os condenados, não se sabe realmente, se corrói a tristeza que tanto brada, ou se esta longe, de mãos que já seguraram e acariciaram cabelos e curvas, de palavras sussurradas numa noite cheia, de olhos sinceros e maliciosos, foi-se.O tempo não olha para trás, ele não tem sentidos, só bem me faz, pois as vezes arranca memórias em tom mordaz, ela ainda mora em algum recanto deste pobre rapaz, agora ao menos. Sem estar realmente em paz, penso ainda em suas setas que como as minhas se escondem por detrás, de belas palavras ou ornadas ofensas, que só vêem aqueles que procuram desavença, só desejei um pouco demais e de conhecer seu rosto, acordar com o ultimo suspiro da noite soprando leve nos cabelos dela, enrolar os braços em sua cintura e levar o seu junto ao meu, pobre e torcida alma que lamenta o que não tem, não espero que me escute, mas se escutar tudo bem. Ela foi tempo de ninguém, uma cicatriz que ao lado de muitas formou um homem de alguém, seja feliz, comigo, sozinha, ou mais além…

 

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O Cavaleiro Dela

Andando pelas ruas e vielas dos meus momentos

Esbarrei num sorriso e em um par de olhos, o

Fôlego parou, e um silencio se fez no meu coração,

Uma vontade de começar algo novo, de conquistar

Os pensamentos e as vaidades dela, os cabelos negros

Escorriam pelas minhas mãos, os lábios se tocando e

Escrevendo com beijos os sentimentos, ela não sabia

Dele, mas sentia o vazio do ser, de estar em um lugar

E olhar para  as paredes vazias, e querer encontrar as respostas

Escritas a ferro ou tinta, o corpo não julga o que a mente faz,

Mas paga, ele soube dela, e ele queria ela. O gasto, o usado.

O que viu amores definharem e escorrerem como areia entre os dedos,

Ele decidiu congelar o tempo, e guardar o que se pode ter entre

Duas flamas, seja fogo ou só paixão, não sei se arde, mas queima,

A dor lateja nos calos da mão da espada, ela cai e levanta

Uma nuvem de poeira do passado, ele não consegue chorar agora,

Mas sua alma grita rasgando suas entranhas, ela quer a liberdade

De estar com ela, de ser para ela, de protegê-la…