O covarde do deus

Ela parou de respirar assim que a ponta da lança chegou ao chão, os suspiros e as lagrimas quebraram a sutileza, assim como a coroa se partiu em realeza. O vestido farfalhou no pavimento com um vento seco e mordaz, brincando com os cabelos mortos, uma ave gorjeou agourenta sobre nossas cabeças, estava ficando escuro lá fora. Dentro dos muros as vozes se calavam para olhar aterrorizadas a cena, o jovem andando em riste como a lança, segurando a cabeça dela pelos cabelos, arrastando o corpo até o trono. Baixou a lança e a segurou no colo como que se fosse a desposar, e depositou-a em cima do trono grande e duro, talhado com aves e feras, agora sua princesa estava livre dos deveres, e seu amor livre para pregar sua lança nos heróis das outras misérias.

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Evocado

 

Sabe o que se faz com um papel que foi amassado ou uma idéia ruim que passa pela mente? Como tentar ser valente ou de algo parecido com quem sente? Eu já vi pássaros mortos, asas desnecessárias, não é triste o suficiente, estar de pé e tentar manter a verdade é a dor de todo dia, o que uma nota de musica ou de papel pode fazer não muda um sorriso lembrado. Virtude é algo a se escolher, você procura ela, e ela talvez procure você. As cordas tensas se imaginam tocando versos nunca antes dedilhados, quando talvez estejam presas por falta de preparo, não espere ser o que não pode, seja forte e fraco até o fim, não duvide das perguntas, mas apenas encare as respostas, sorria ou chore, todos temos alguma chama que brilha mais quando se pensa, e ela pode ser eu, e ela pode ser você.