O covarde do deus

Ela parou de respirar assim que a ponta da lança chegou ao chão, os suspiros e as lagrimas quebraram a sutileza, assim como a coroa se partiu em realeza. O vestido farfalhou no pavimento com um vento seco e mordaz, brincando com os cabelos mortos, uma ave gorjeou agourenta sobre nossas cabeças, estava ficando escuro lá fora. Dentro dos muros as vozes se calavam para olhar aterrorizadas a cena, o jovem andando em riste como a lança, segurando a cabeça dela pelos cabelos, arrastando o corpo até o trono. Baixou a lança e a segurou no colo como que se fosse a desposar, e depositou-a em cima do trono grande e duro, talhado com aves e feras, agora sua princesa estava livre dos deveres, e seu amor livre para pregar sua lança nos heróis das outras misérias.

Anúncios

O Cavaleiro Dela

Andando pelas ruas e vielas dos meus momentos

Esbarrei num sorriso e em um par de olhos, o

Fôlego parou, e um silencio se fez no meu coração,

Uma vontade de começar algo novo, de conquistar

Os pensamentos e as vaidades dela, os cabelos negros

Escorriam pelas minhas mãos, os lábios se tocando e

Escrevendo com beijos os sentimentos, ela não sabia

Dele, mas sentia o vazio do ser, de estar em um lugar

E olhar para  as paredes vazias, e querer encontrar as respostas

Escritas a ferro ou tinta, o corpo não julga o que a mente faz,

Mas paga, ele soube dela, e ele queria ela. O gasto, o usado.

O que viu amores definharem e escorrerem como areia entre os dedos,

Ele decidiu congelar o tempo, e guardar o que se pode ter entre

Duas flamas, seja fogo ou só paixão, não sei se arde, mas queima,

A dor lateja nos calos da mão da espada, ela cai e levanta

Uma nuvem de poeira do passado, ele não consegue chorar agora,

Mas sua alma grita rasgando suas entranhas, ela quer a liberdade

De estar com ela, de ser para ela, de protegê-la…