Peçonha apaixonada

Quando os dias passam e você não os percebe, você esta afogado em nada ou realmente o tempo lhe traiu? Eu a vejo agora em sonhos e nos meus desejos, usa uma única túnica branca que lhe cobre até os calcanhares, mas que deixa seus ombros nus, o cabelo solto em cachos perfeitos até um pouco abaixo da base do pescoço, nem as musas se vestem assim.

Olha pra mim, seu reflexo me julga de cima abaixo, vê o que as ondas bateram e quebraram tempos atrás, o sorriso frágil e não fugaz, é fugitivo de tempos altivos, ainda acha que não luta.

Ele escolheu-a a tempos, para ambos caminharem juntos numa carruagem de nuvens que troveja, os sons fortes e abafados das centelhas espiraladas descem do céu até dedilhar um cordel, a música dos dois foi feita em algum pedaço esquecido do céu.

A melodia pode ser curta, mas muda e cura, não aperta ou é discreta, se vem lagrimas ela as limpa, se lhe vem pensamentos ela os lê, assim se faz, tudo lhe apraz, e dele ela não se desfaz, vontade voraz e sem paz, de ter o par de lábios enrolados como uma mensagem em uma garrafa, que diz que por você nunca é demais, nunca satisfaz, os cortes foram trocados por carinhos no caminho que levou até a pequena.

Sem pena, não tente, sente o que é quente, ela não é aparente, é vertente da minha mente sem mais gente, espero e creio nada mais que um devaneio, a canção é louca e a melodia é pouca mas eu faço, eu caço, aperto a caixa com um laço e lhe entrego, todos os dias um pulsante renovado, não de mal grado, é o fardo, ganhar um rubro assim logo a tarde, sem alarde, fecha teus olhos e aperta esse meu coração, que arde na paixão, passei da emoção e encontrei ao meu lado a rainha da minha razão, ora pois quem diria que amaria o escorpião.

Anúncios

Um dia e nada mais

O que entrou na sala logo disse que ventos bons chegavam do sul, e do norte alguém de belo porte. Logo suspeitei das folhas douradas e do horizonte acinzentado. Ele disse em um vexo só, pois eu estava acorrentado, a razão e o futuro em laços sem traços prenderam-me forte ao longo do regaço, e me vi olhando o céu, as nuvens sem rigor em chumaços, dançavam na brisa da noite remando no véu do espaço. Cintilavam estrelas como olhos, flamejantes como a ambição e ferida para os fracos, o destino de quem pode é ser seu e contar com a sorte. Veja logo a cadência dos astros relapsos, fogem pelas linhas do abismo celeste procurando levar meus pedaços. Mas o que foi fundido na mente é mais que o passado, é a história de heróis e a lança que não erra o pulsante, logo sem dor não vivem os errantes. A emoção não é curta, mas rio com vagas oceânicas e tempestades titânicas, não gotejo dos olhos, pois as lagrimas são minhas moedas, e com elas compro a paz e remo num barco sem velas, a minha força esta nas costas retesadas e nunca cansadas do fardo dos dias e das vergas daquela, que cava sulcos rubros e se diz paixão ou miséria, não me entrego todos os dias, mas mais um dia eu enfrento por ela.